Método para ajudar adolescentes a parar de fumar consegue resultados animadores

1152250_cigarettePela primeira vez pesquisadores demostraram ser possível uma diminuição massiva de hábitos tabagistas em adolescentes. O programa, desenvolvido pelo Fred Hutchinson Cancer Research Center, EUA, envolveu atitudes pró-ativas de profissionais com telefonemas de aconselhamento. Esses resultados, validados pelos pesquisadores Arthur Peterson e Kathleen Kealey, foram publicados no periódico Journal of the National Cancer Institute.

“Quando começamos o estudo, apesar de décadas de pesquisa e um grande número de tentativas de intervenção, não havia provas que métodos de intervenção em adolescentes funcionvam, nem números que comprovassem a eficácia”, diz Peterson.

O estudo focou mais de 2 mil adolescentes fumantes de 50 escolas na mesma cidade. Os contatos telefônicos começaram no final do ensino fundamental e eles foram acompanhados até o final dos anos letivos do ensino médio. O método oferecia aos estudantes nove sessões telefônicas personalisadas e confidenciais, que contavam com a autorização dos pais.

Mais de 20% dos estudantes acompanhados pararam de fumar durante os primeiros seis meses. Além disso o método impactou na síndrome de abstinência. Os resultados finais mostraram que essa técnica teve resultados positivos três vezes maiores que outros métodos anteriores.

O aconselhamento telefônico se baseou na premisa que fumantes precisam acreditar na importância de parar de fumar, na confiança de que conseguem parar e de que eles são capazes de lidar com o fato de pararem. A intervenção partiu de duas formas de aconselhamento: entrevistas motivacionais, com ênfaze na construção da confiança de conseguir parar, e treino de habilidades comportamentais e cognitivas, onde eram ensinadas estratégias para eles aprenderem a lidar com a situação de ex-fumantes.

Confiança e motivação

“As entrevistas motivacionais eram bastante sensíveis, com abordagens respeitosas e que não envolviam nenhum tipo de julgamento quanto ao hábito de fumar. Jamais dissemos ‘queremos que você pare de fumar’”, explica Kealey. Os próprios participantes acabavam indicando o que os fazia fumar e seus medos quanto ao hábito.

Nos treinos de habilidade comportamental e cognitiva os pesquisadores indicavam estratégias para que os estudantes lidassem com os gatilhos, como o estresse, que os faziam desistir do plano de parar de fumar.

Métodos para fazer os adolescentes pararem de fumar vêm sido testados há mais de 20 anos. Os estudos identificaram diversos percalços. Até hoje apenas outros dois testes, com populações menores e feitos em ambientes médicos, mostraram algum resultado.

O que levou ao sucesso do estudo feito pela Hutchinson pode ser uma série de fatores: o método era pró-ativo, os pesquisadores se prontificavam a estar disponíveis aos adolescentes que aderissem ao programa e não os pressionavam a parar; o aconselhamento era feito pelo telefone, o que demostrava as intenções de privacidade e confidencialide e proporcionava ao pesquisador focar os assuntos levantados pelo participante; os conselheiros utilizavam técnicas motivacionais, pois os adolescentes não se mostravam muito receptivos quando eram obrigados a parar.

“Outra fator indicado pela pesquisa foi que os fumantes – adolescentes ou jovens – apesar de serem menos propensos a buscar ajuda, conseguem reverter os hábitos rapidamente quando têm ajuda personalizada”, finaliza Peterson.

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da Redação

com informações da Fred Hutchinson Cancer Research Center

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