Esqueça a dieta! Campanha internacional incita as mulheres a amarem mais seu próprio corpo

Corpo, Nutrição, Psicologia | 23/10/2009
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1171398 jumping girl Esqueça a dieta! Campanha internacional incita as mulheres a amarem mais seu próprio corpoTodo dia milhões de mulheres gastam tempo, dinheiro, energia, acabam com sua autoestima e podem estar se afastando cada vez mais das pessoas que amam. Elas passam horas perseguindo ideias intangiveis e irreais de um padrão de beleza feminina enraizado na sociedade moderna: o ideal de magreza.

Uma campanha intitulada Fat Talk Free Week (algo como “Uma semana sem conversas sobre engordar”), propõe que as pessoas fiquem 7 dias sem falar sobre o assunto, evitando frases que endossem negativas sobre o próprio corpo e de outras pessoas. A campanha tem o apoio da The Academy for Eating Disorders, entidade mundial que reúne profissionais envolvidos com pesquisas sobre os transtornos alimentares, e do Proata (Programa de Orientação e Apoio aos Pacientes com Transtornos Alimentares) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

“É comum ouvir grupos de mulheres adotando uma fala depreciativa sobre o próprio corpo, sempre se comparando com modelos de beleza que todos sabemos não ser real”, afirma Liliane Kijner Kern, psiquiatra e terapeuta de família e casal ligada ao Proata. “Isso é quase um mantra que puxa a autoestima para baixo, dia após dia”, diz.

A campanha, afirma a especialista, é uma tentativa de conscientização da sociedade para que as pessoas reavaliem seus atos, deixando de focar apenas a busca de um corpo que seja associado a um modelo estético. A Fat Talk Free Week propõe que as pessoas busquem por um ideal de saúde – e que é diferente para cada tipo de mulher – o que requer que as pessoas cuidem do próprio corpo (e não fiquem mais magras).

“É possível alcançar um ideal de saúde quando nós melhoramos nossa saúde corpórea, mental e nossa qualidade de vida”, diz Kern. Isso pode trazer melhoras não só na pessoa, mas no círculo de convivência e na família.

A psiquiatra observa que a aversão ao próprio corpo pode levar as mulheres a buscarem métodos que muitas vezes são extremamente agressivos. “Dietas restritivas, exercício em excesso – muitas vezes feitos como obrigação, sem nenhum prazer – tudo isso é uma violência contra o corpo”, diz.

A dieta pode ser um perigo

Kern lembra também que, na maioria dos casos, os transtornos alimentares são desencadeados por esse círculo vicioso gerado pela sucessão de dietas radicais e tentativas frustradas de transformação do próprio corpo. Essa frustração pode se potencializar, chegando a comportamentos bulímicos.

“Forçar o vômito é a imagem mais intensa que temos da bulimia. Mas muitas mulheres que abusam dos laxantes, diuréticos ou tomam remédios para emagrecer em excesso – com ou sem prescrição médica – também podem estar desenvolvendo esses comportamentos bulímicos”, observa. Esse tipo de quadro pode evoluir.

“A ideia da campanha, é fazer com que o corpo pare de ser motivo de vergonha e passe a ser algo que proporcione prazer. Não é preciso ir à musculação todos os dias. É possível optar por dançar, por exemplo, ou então ter uma alimentação balanceada e saudável sem restrições e sem comer nada por que é uma obrigação. Sempre existe uma opção”, finaliza Liliane. Emagrecer pode até ser consequência, mas não um objetivo a ser alcançado a qualquer custo.

O que fazer durante a sua “Uma semana sem conversas sobre engordar”

- Pare de usar frases como “estou gorda”, “eu pareço mais gorda com essa roupa?”, “preciso perder uns quilinhos”. Com as amigas evite comentários como “ela está muito gorda para usar um biquini”. Ao invés disso tente usar frases positivas e tente mudar a atitude de pessoas que sempre estão desmotivadas com o próprio corpo. Dizer “Você está ótima! Pra quê perder peso?”, de vez em quando, não é tão difícil, é?

- Escolha uma amiga ou alguém da família para conversar sobre o que cada uma gosta no próprio corpo.

- Faça um diário de boas coisas que seu corpo lhe proporciona. Por exemplo: “consigo dormir bem e acordar descansada” ou “eu posso fazer algum esporte sem perder o fôlego”.

- Escolha uma amiga e faça um pacto para não conversar sobre dietas ou sobre engordar. Quando uma das duas começar a falar negativamente sobre o próprio corpo, cobrem-se do pacto.

- Faça uma promessa a si mesma: não fale mal do seu corpo. Elogie, seja prática. Ao invés de pensar “eu não gosto do meu nariz”, imagine o que ele faz por você (não precisar respirar pela boca é uma grande vantagem, não é?).

- Da próxima vez que alguém te elogiar não precisa reclamar. Ao invés de responder “mas eu me acho tão gorda”, respire fundo e diga “obrigado”. Fácil assim.

- E finalmente: uma semana é só o começo. Tente assimilar o hábito e tenha em mente que o corpo perfeito é uma invenção. Ser saudável é muito mais bonito.

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Por Enio Rodrigo

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18 Comentário

  1. Ana disse:

    Gostei da dica.Obg.É isso mesmo.Temos que nos valorizar.

  2. Gandrácula disse:

    uma semana sem nóia.
    consegue?

  3. Adriana Maria da Costa disse:

    Ler esta proposta foi como tirar um peso dos ombros.Querer ser magra passou a ser um CASTIGO imposto na vida da mulher. Obrigada por se procupar com o nosso bem estar. Adriana.

    • ronaldo disse:

      parabens pra vc ,todas deveriam agir dessa forma amenizaria o sofrimento proprio e das pessoas com quem convive ,pois essas tambem sofrem e muito,se sentem ,impotentes, sao sempre acusada e desacreditadas ,por mais que digam q a ame como ela e nao e levado a serio ,namorei 8 anos com uma fofinha e acabamos terminando por conta dessa problema.desulp a ousadia nao te conheço ,mas vi no seu comentario

  4. ne disse:

    Ola,muito boa a materia,fiquei ate emocionada pois me enquadro na categoria de mulheres q desemvolvem a Bulemia atravez do laxante,ja tentei para de todas as fora e nao consegui ,malho todos os dias e tomo remedio para emagrecer ,ja cheguei a perde 12 kg com o laxante mais recuperi todos os 12 e hj não consegui me livra do laxante.

    Seria muito bom se ese programa pegasse aqui no brasil. Muito Obrigado pela a materia.

  5. Nane disse:

    Òtima matéria , deveriamos se preocupar mais em ser feliz do jeito que somos , afinal ninguém é perfeito !!!

    Parabéns pela publicação !!

    Abraços

  6. Jane disse:

    Não acredito que essa onda pegue. A sociedade nos cobra o corpo perfeito, as revistas, a midia, o mundo. Então parem de ser hipocritas e resolvam o problema na raiz…ninguem consegue ser feliz com essa pressao social.

    Não sou gorda, meu IMC é de 24, mas mesmo assim preciso perder 10kg para entrar no padrão…e isso é justo???pode nao ser mas é a realidade.

  7. katia lage disse:

    Adorei a matéria, realmente estamos deixando nos levar por padrões de magreza q ñ existe, devemos cuidar da nossa alimentação ñ por estetica e sim por, saúde existe muitas pessoas gordas saudaveis e magras doentes, emagreci 12 k com uma boa reeducação alimentar e caminhadas já fazem 8 anos e até hoje continuo com 58k,

  8. Chris disse:

    Parabéns pela matéria!
    é de extrema importância este momento de consciência – parar um pouco e refletir sobre, o que faço com meu corpo, e para quê faço.
    é fato que por um lado temos um ambiente monstro nos obrigando a encaixar em um padrão, mas por outro temos que desenvolver esta capacidade de questionar como permito que estas determinações entrem em minha vida.
    da minha parte, aproveito a chegada do calor a promessa do biquini para melhorar a minha alimentação com alimentos integrais e mais leves….

  9. Ana disse:

    A materia é ótima e realmente ajuda…Mas quero ver alguém nao entrar em parafuso, qdo perceber o peitinho caindo!!

  10. jussara disse:

    muito bonito e emocionante, adoraria me valorizar, mas o que adianta se eu serei sempre a gordinha simpática????? acho que não rola rssss

  11. Rita Lúcia disse:

    Excelente campanha. Hoje a paranóia é tanta em torno de magreza que até as não gordas e não tão jovens querem ter corpinho de menina de 13 anos. Vamos massificar o assunto…vou colaborar…graças a Deus não sofro desse mal…Sou muito feliz com o que tenho. Bjs para os idealizadores…Rita Lúcia

  12. Renata disse:

    Como seria bom se as pessoas voltassem a se valorizar, e a valorizar as outras por aquilo que são, pelo caráter, pela persinalidade, pelos valores morais e sociais,por aquilo que trazem no seu interior, e não pelo exterior, pelo seu físico.Eu sou um exemplo de que essa busca pela “perfeição” do corpo não leva a nada, sim, pode levar, mas para o fundo do poço.Sofro de Anorexia Nervosa há 8 anos, fiquei curada da Bulimia, porém tenho Depressão também.Sabem o que eu ganhei com isso?Consegui emagrecer mais que 20 kg, tenho 1,72 e até o início do ano pesava 46 kgs.Hoje, estou com 50, porém infelizmente, ainda não consigo aceitar esses quilos, não consigo me aceitar, aceitar meu corpo.Vivo trancada em casa, afastada de quase todas as pessoas, sem trabalhar, sem passear, por causa dessa obsessão.O meu objetivo aqui é alertar às pessoas que estão começando com este tipo de obsessão que lutem e saiam dessa antes que seja tarde, pois se vocês estiverem procurando a felicidade em um corpo perfeito, isso é pura ilusão, pois não precisamos ter esse tipo de corpo para sermos felizes, nós precisamos é da paz interior para encontrarmos esta felicidade, que às vezes está tão perto de nós, porém, por causa dessa obsessão, não percebemos, e deixamos de viver esses momentos felizes que poderíamos ter vivido.Cuidem-se, tentem viver essa semana,eu, não sei se vou conseguir, mas vou tentar, e vou passar para as pessoas para que elas possam viver esta semana de uma maneira especial, como essa campanha está propondo.Um abraço a todos, e desculpem tantas palavras.Fiquem com Deus!!!

  13. Eliane disse:

    Não tem como deixar isso para lá. Gordura e muito feia, como voce passa uma semana olhando sua enorme barriga e vendo na tv aquelas mulheres lindas e não pensar em nada.

  14. Maria Helena Silveira da Costa disse:

    …melhor ser a gordinha simpática do q a magrela insuportável!!…

  15. Ana disse:

    Poderíamos criar também a semana “não desejarei seios maiores”…”não falarei sobre celulite”…”não pensarei em alisar os cabelos”…”aceitarei uma ruga”.
    São muitas as neuroses da beleza. Assim como tudo na vida, se não começarmos a nos questionar sobre o real sentido de tudo que nos é “imposto” (eu diria, na verdade, “proposto”), acabaremos à deriva, sem amor próprio, na eterna luta por algum ideal que, aliás, não é final…muda ao longo do tempo, é dependente da cultura do país…vem e vai, como ondas….num terrível efeito sanfona. Corpo não é moda: é vida!

  16. dôra disse:

    parabens pelo excelente artigo; deveriam repeti-lo muitas e muitas vezes – dôra

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